quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Teste de gravidez: POSITIVO

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Quando li o resultado do exame e soube que eu estava grávida, tive a sensação de que o chão sumiu sob meus pés!

O primeiro sentimento que tive foi o de me xingar de burra, inconseqüente, "como é que isso foi acontecer comigo?"... e tantas outras frases que só faziam humilhar a adolescente estudada, inteligente, bem orientada, rodeada de amor materno, paterno, fraterno, sobrinhoterno (será que existe essa palavra?)...enfim, me crucifiquei como pude perante o 'erro' cometido!

Passados os primeiros segundos, lembro-me de ter sentido algo diferente em meu corpo. Senti minhas 'carnes' mais fortes! Não sei se meu corpo estava se preparando(ou me preparando) para o que estaria por vir: (a meu ver) as bofetadas que eu receberia de minha Mãe ao saber da minha gravidez ou (o que era mais certo) que meu corpo estava se fortalecendo para proteger a nova vida. O certo é que tudo isso se passou em menos de 10 minutos e esse turbilhão de pensamentos e sentimentos estiveram acompanhados de lágrimas e soluços (daqueles que estremecem o corpo!).

Que a atitude eu deveria tomar primeiro? Correr, gritar, espernear... só então me dei conta de que ainda estava do lado de fora do laboratório, com o resultado do exame de sangue (uma folha de papel onde se via uma cegonha com um bebê amarrado numa fralda voando feliz por entre as nuvens, meu nome e as inscrições POSITIVO e PARABÉNS!).

Contei pra minha irmã e ela se encarregou de contar para meus pais.

Por telefone, me preparei para receber o 'bofetão' da minha Mãe (com letra maiúscula mesmo)! Pensei que as palavras dela viriam aos gritos, cheias de ódio... mas errei! As palavras vieram cheias de pena, dó e de um conforto meio involuntário. Isso teve um efeito mais dolorido do que o bofetão! Eu chorei durante toda a ligação telefônica! Só conseguia repetir: Me desculpa, Mãe! Me desculpa, Mãe!

Conheci ali o significado da frase: Minha vida passou diante dos meus olhos!
Lembrei das várias vezes em que minha Mãe me levava ao otorrino e segurava minha mão, enquanto ele fazia aquela limpeza dolorida e barulhenta; lembrei das compressas quentes que ela fazia quando eu estava com dor de dente; das vezes em que eu era a 'preferida' para acompanhá-la à feira ou ao mercado; de andar no centro da cidade de mãos dadas com ela...

Era isso o que ela estava dizendo ao telefone, algo como: 'agora você vai ter que cuidar de alguém para o resto de sua vida'; 'vai ter de passar várias noites de sono para que seu filho durma em paz'; 'vai ser feliz, mas vai sofrer'!

E não é que minha Mãe sabia mesmo o que estava dizendo!?

Adivinha quem esteve ao meu lado na hora do parto? Minha Mãe, claro!

Adivinha pelo nome de quem eu gritava quando a contração doía? Minha Mãe, claro!

Adivinha como eu chamava o médico (que não vinha logo)? De filho da mãe, claro!

O parto é a coisa mais dolorida que eu já senti! Dor de dente, dor de ouvido, dor nos rins....dói, mas a dor do parto supera todas as demais! Você ainda tem de ter cuidado pra não prejudicar o bebê!

Dizem que a gravidez é quando a mulher fica mais linda. Só se for linda no coração, porque, ô bicho feio, viu!? O nariz fica marombado, a barriga daquele tamanhão que até muda seu jeito de andar, os pés não cabem no sapato...Aff!

RECOMPENSA
Eu tinha 19 anos quando o médico aproximou minha filha (ainda suja de sangue) do meu rosto! Me senti uma espécie de animal perto da cria. Beijei minha filha várias vezes e consegui limpar o sangue de seu rostinho passando minha bochecha (como se fosse um focinho).
Lembro-me de ter perguntado ao médico se ela era perfeita, se tinha todos os membros! Ele respondeu um 'sim' meio mal-humorado, como se aquela pergunta fosse descabida.
Eu sabia lá se podia perguntar aquilo ou não!! Não tinha um manual de instruções para o que se deve fazer/falar na sala de parto. Perguntei e pronto!

AMAMENTAÇÃO
Lembra das minhas 'carnes' se fortalecendo? Então, esqueci disso na hora da primeira amamentação! Como doeu!! Parecia que minha alma estava saindo pelo canal do seio!

"Vai ser feliz, mas vai sofrer!" – Estava ali mais um sinal de que aquela frase me acompanharia por muito tempo ainda.
Durante todo o período da gravidez, estive certa de que, dali por diante, eu teria um bebê no colo para sempre!

E O BEBÊ CRESCEU...
O dia em que ela ficou de pé no berço; o primeiro passo; a primeira dança; as palavras (ah, como eu pensava nisso: como seria a voz dela?); a dor da separação no primeiro dia de aula 'na creche' (a dor foi maior ao saber que ela nem sentiu minha falta); a primeira super-festa de aniversário (a dela tinha de ser a melhor, claro, porque estamos falando da minha filha!). Mãe não tem jeito mesmo!

E aquele 'bebê no colo para sempre'... cresceu! Hoje está com 17 anos!
É minha alegria, meu orgulho, minha pressa de chegar em casa, meu principal motivo de sorrir, meu prazer de viver!

"Vai ser feliz, mas vai sofrer!" – Essa frase já ficou um pouco para trás. Hoje, fico feliz com as alegrias dela, sofro com seu sofrimento, vibro com suas vitórias, apóio seu esforço, inclusive quando as coisas não saem perfeitas!
Em contrapartida, tenho uma melhor amiga, uma mãe (mais uma), uma colega de quarto e uma personal-stilyst! Tenho alguém com o ombro disponível para chorar minhas angústias! Tenho uma filha! Uma adolescente pré-adulta!

Sabe o que eu penso sobre a palavra POSITIVO no teste de gravidez?
É a resposta para duas perguntas:

Eu vou sofrer? POSITIVO
Mas vou ser feliz? POSITIVO

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